Uma teia de mudanças

Uma teia de mudanças

O surgimento da World Wide Web causou uma mudança brutal na forma que as pessoas se relacionam entre si e com marcas e corporações. Promoveu a eliminação de barreiras, acelerando as interações e mudando a maneira que nós vemos e agimos no mundo. Mais velocidade, menos tempo, mais proximidade, mais profundidade, mais acesso à informações, mais “tudo ao mesmo tempo agora”. 

Marcas e política: a construção e o entendimento da mensagem

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Com as mudanças nos cenários políticos no Brasil e no exterior, cada vez mais as marcas, que antes se preocupavam em não tomar posições políticas, se vêem de frente a pressões para que assumam posições de forma clara. Esse dilema deve ser analisado com critério para que as decisões sejam tomadas com bases sólidas.

Propagar uma mensagem, seja ela de publicidade ou ideologia, da melhor maneira possível, e sem gerar ruídos de interpretação, sempre foi o grande objetivo de todos os profissionais do  campo do Marketing e da Propaganda envolvidos com o posicionamento e a construçnao de discursos de Marcas. Com esse propósito, existem várias teorias para o estudo dos processos de construção da mensagem. Duas das principais são: A Análise do Discurso (AD) de orientação francesa, e a Semiótica, definida pelo americano Charles Sanders Peirce.

Dentro dos conceitos da Análise do Discurso, Orlandi (2007, p. 38), afirma: “o discurso é o lugar do trabalho da língua e da ideologia” (…) “Sabedores de que tudo que é materializado pela linguagem está marcado ideologicamente, é imprescindível, no ambiente escolar, analisar, discutir, questionar sobre o que é veiculado pelos meios de comunicação”. Segundo Ferreira (2001, p. 17), "Para a AD, a ideologia não é algo exterior ao discurso, mas sim constituída de prática discursiva.” Assim, podemos inferir que “algumas propostas e expressões usadas em um discurso recebem o seu sentido ou mudam de sentido, conforme a formação discursiva onde são materializados.” (Pagnussatti, 2009). Pagnussati conclui que "Compreende-se assim que formação ideológica e formação discursiva são dependentes – interligadas, uma não co-existe sem a outra; pois a materialização de uma formação ideológica se faz através de uma formação discursiva”. Orlandi complementa o ”os discursos veiculados pela mídia uma vez “lançados” são passíveis de múltiplas interpretações de atribuição de sentidos. Como afirma Rimbaud (Orlandi, 2006, p. 12), “todo texto pode significar tudo – há uma determinação histórica que faz com que só alguns sentidos sejam ‘lidos’ e outros não.”  

Trazendo esses conceitos para a realidade das Marcas, podemos afirmar que: Uma Marca que prega uma atuação política, seja ela partidária ou apartidária, precisa, em todos os momentos que estabelecer um discurso textual de mensagem publicitaria ou ideológica, primar para que o que está sendo comunicado esteja alinhado ao seu propósito, sua missão e sua visão.

Dentro dos conceitos da Semiótica, para Santaella (2005a, p. 07), a semiótica é a ciência dos signos: "O nome semiótica vem da raiz grega semeion, que quer dizer signo. Semiótica, portanto, é a ciência dos signos, é a ciência de toda e qualquer linguagem [...] A semiótica é a ciência que tem por objeto de investigação todas as linguagens possíveis, ou seja, que tem por objetivo o exame dos modos de constituição de todo e qualquer fenômeno de produção de significação e de sentido."

Seu precursor é o americano Charles Sanders Peirce (1839-1914). Segundo Peirce (2005, p. 46), "Tudo é signo. A semiótica, portanto, estuda os signos e como eles se relacionam. O signo não é objeto, é algo distinto, ele está ali, presente, para designar ou significar outra coisa. Para que algo possa ser um signo, esse algo deve representar alguma outra coisa, chamada objeto, para a mente de alguém (interpretante)”. 

Para Niemeyer (2003, p. 14), “A semiótica ilumina o processo no qual ocorre a construção de um sistema de significação”. Para ela (2003), “Os signos se organizam em códigos, constituindo sistemas de linguagem”. Esses sistemas constituem a base de toda e qualquer forma de comunicação. A principal utilidade da semiótica é possibilitar a descrição e a análise da dimensão representativa (estruturação sígnica) de objetos, processos ou fenômenos em várias áreas do conhecimento humano”.

Pedro Sampaio descreve: "Um signo, portanto, enviado por um emissor, só formará um conceito para seu receptor através da sua história ou emoção inata com aquele signo, acrescida de sua significação lógica (ou vice-versa).” (Pedro Sampaio) 

Entre os sistemas de linguagem, estão as mensagens publicitárias e/ou de propaganda ideológica. Segundo Cunha (2008), “tais mensagens estão inseridas em universos ainda maiores que lhes servem de pano de fundo para sua existência e expressão”. (…) “Por exemplo, ao analisarmos as mensagens de peças publicitárias estaremos concomitantemente analisando um certo contexto; uma época, uma cultura, uma sociedade, sistemas de comunicação e consumo específicos. Dessa forma, somos obrigados a levar em conta todas essas variáveis, a fim de entendermos não apenas a mera disposição dos signos na mensagem publicitária, mas também os fatores que a determinam, os modos com que são recebidas e a natureza e o porquê dos efeitos que procuram causar em seus receptores”. 

Toda Marca, ao definir uma posição ideológica, precisa construir o discurso da maneira mais consistente possível, e ter sempre em vista a perspectiva das pessoas que irão receber as mensagens, buscando entender como elas serão interpretadas, para que não haja ruídos.

De uma forma sucinta, podemos utilizar a frase clássica de David Ogilvy, fundador da Ogilvy & Mather, uma das mais bem sucedidas agências de comunicação do mundo, que afirmava: "Comunicação não é o que você diz, é o que os outros entendem”.

 

D.J. Castro
Fevereiro 2017

 

 

Bibliografia

SANTAELLA, Lúcia. Semiótica Aplicada. São Paulo: Thomsom Learning. p. 01-67. 

CUNHA, Maria Luciana Garcia. Uma análise da semiótica peirciana, aplicada ao anúncio da Associação Desportiva para Deficientes. Revista Anagrama. Revista Interdisciplinar da Graduação. Ano 1 - Edição 3 Março/Maio de 2008

BARZOTTO, Valdir Heitor; GHILARDI, Maria Inês. Mídia, educação e leitura. São Paulo: Anhembi Morumbi, 1999. 

NAVARRO. E. P. Estudo do texto e do discurso. São Carlos: Claraluz, 2006. 

ORLANDI. E. P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. Campinas: Pontes, 2007. 

ORLANDI. E. P. Discurso e leitura. São Paulo: Cortez, 2006.

PÊCHEUX. M. Semântica e discurso. Campinas: Unicamp, 1999. 

OGILVY, D. Confissões de um publicitário. São Paulo: Bertrand Brasil, 2011

As 10 principais tendências de Marketing em 2017

Em um ambiente em constante evolução tecnológica e de mudança dos comportamento dos consumidores é grande o desafio para as marcas manterem o foco, permanecerem relevantes, gerarem interações e aumentarem as conversões. Aqui estão previstas 10 tendências que vão impulsionar o marketing em 2017 e que devem estar no radar dos profissionais de marketing no momento de definir o planejamento estratégico de marketing.

 

O mercado está mudando cada vez mais rápido e os profissionais de marketing precisam adaptar seus planos para aproveitar as oportunidades que se apresentam.

O mercado está mudando cada vez mais rápido e os profissionais de marketing precisam adaptar seus planos para aproveitar as oportunidades que se apresentam.

 

1. Aumento do foco na experiência do consumidor. Porter na década de 1980 já afirmava a necessidade de se ter foco no cliente. E, cada vez, mais, é de suma importância proporcionar experiências emocionais e sensoriais, aproveitando as novas plataformas digitais e, ao mesmo tempo, potencializando as ferramentas tradicionais de marketing.

2. Métricas efetivas para engajamento: Analytics 2.0. A métricas precisam ser feitas com propósito claramente definido, e não apenas pelo volume de dados por si só. As empresas precisam voltar a definir seus objetivos alinhados com lucro, receita, retenção e satisfação dos consumidores. A evolução das ferramentas tecnológicas pode aliar nesse processo, mas elas precisam ser bem utilizadas.

3. Marqueteiros com capacitação tecnológica e cientistas de dados vão ter papel mais preponderante. Para poder realizar os novos objetivos de marketing, a tecnologia será fundamental, e dominá-la vai exigir maior capacitação e novas funções dentro do departamento de marketing.

4. Personalização de tudo. A customização em massa evolui para personalização, desde a gestão dos pontos de contato até um aumento na responsividade do processo de compra, detectando e atendendo melhor as necessidades do cliente para produtos exclusivos, personalizados. 

5. Mais e melhor conteúdo em vídeo. O conteúdo continua sendo o “rei” e, com a maior velocidade da banda larga, a produção de videos vinculados ao storytelling das marcas vai aumentar exponencialmente. Os consumidores vão se relacionar e se engajar com as marcas que oferecerem experiências audiovisuais online. A convergência tecnológica fará com que experimentos com realidade aumentada e realidade virtual terão mais viabilidade comercial para as marcas ao longo do ano.

6. Mais marketing em mídias sociais. A presença das marcas nas midias sociais tem que ser pautada por conteúdo de maior qualidade, que construa a marca e o relacionamento de longo prazo, sem forçar as vendas. A conversão de vendas é consequência do engajamento, e não o contrário. O conteúdo tem que ser especializado e, se possível, personalizado. As mídias sociais tem que ser encaradas muito mais do que um canal de marketing, e sim um canal de experiência do consumidor.

7. As marcas vão abraçar a Internet das Coisas (IoT). Milhões de dispositivos já estão conectados à internet, coletando informações dos consumidores, mas é preciso que as marcas consigam transformar esses dados em informações úteis, aproveitando a oportunidade para se aproximar ainda mais dos consumidores. Entretanto, aspectos legais e de privacidade terão que ser considerados para que as iniciativas não tenham impacto negativo na percepção da opinião pública.

8. Chatbots e Inteligência artificial entram em cena de verdade. Utilizando conceitos de inteligência artificial e Deep Learning, o mercado terá tecnologia viável para chatbots que entendem linguagem natural e conseguem complementar a experiência e o relacionamento com as marcas. Um sistema inteligente que sabe as preferencias de cada consumidor e que consegue responder em um alto grau de precisão a questões, além de orientar o consumidor na tomadas de decisões de compra, seja de produtos, serviços ou experiências.

9. Marketing no tempo certo em vez de marketing em tempo real. Os conhecimentos adquiridos com a implementação de ações de marketing em tempo real proporcionará condições para que se detectem os melhores momentos para interagir com os consumidores, ajudando a criar ações específicas de marketing no tempo certo, sem interrupções desnecessárias e prevendo quando as pessoas estão mais propícias para ter experiências, se engajar e consumir as marcas.

10. O Marketing das empresas vai liderar as campanhas de transformação digital. O departamento de marketing é a parte da empresa mais apta a conduzir o processo de transformação digital mostrando ao mercado e à equipe interna que a empresa está mudando e se adaptando aos novos tempos. Esse processo tem que ser feito para evoluir a experiência dos consumidores com as marcas, enfatizar as características únicas de cada marca, mostrar aos consumidores que eles são valorizados e manter a pertinência da marca no mercado.

As empresas que querem ter mais relevância para suas marcas no mercado precisam estar conectadas a estas tendências e, a partir da análise do ambiente de mercado em que estão inseridas, desenvolver o planejamento estratégico de marketing mais adequado para aproveitar as oportunidades apresentadas por esse novo momento do mercado. As empresas que conseguirem implementar estratégias efetivas podem transformar seu posicionamento e obter crescimento expressivo nesse mercado em constante evolução.


 

Os 7 acertos do Branding

por D.J. Castro

O trabalho de branding vai muito além da composição de um novo logo ou um slogan. Uma consultoria de gestão estratégica das marcas tem, em seu escopo, o alinhamento dos objetivos estratégicos da empresa, com suas metas comerciais e estratégias de marketing, criando personalidade para a marca. Qualquer empresa está suscetível a oscilações de mercado e a falhas de comunicação.

Nesse cenário, o branding surge como um processo de estruturação estratégica da gestão da empresa, baseada na marca e no que ela representa, em como ela quer fazer a diferença no mercado em que está inserida, na comunidade, na sociedade, no mundo. Branding é uma metodologia de gestão.

É imprescindível ver o branding como um novo modelo de gestão, em que a marca é o principal ativo da empresa, para gerar mais valor e melhores negócios, de maneira sustentável e duradoura. Podemos listar sete fatores indispensáveis do branding que auxiliam os empresários a entender onde a marca está hoje, aonde quer chegar e como se posicionar para superar a concorrência.
 

1- Fazer o diagnóstico da marca.

O primeiro passo para iniciar o trabalho de branding começa por um diagnóstico, uma análise e pesquisa do histórico da marca e da empresa. O diagnóstico da marca também inclui estudar o mercado em que ela está inserida, para entender seu funcionamento, como é influenciado por ela e como ela o influencia. Entender como a empresa se comporta no mercado é importantíssimo para definir a personalidade da marca. Após esta abordagem é possível definir estratégias de atuação, sejam elas voltadas para o marketing, comunicação ou design.


2 - Definir o propósito da marca.

Entender o propósito e a razão do por que a marca existe no mundo e de que forma ela contribui com a sociedade é preponderante. Entender o contexto do mercado em que está inserida, quais suas potencialidades e como estas podem serem exploradas junto aos seus públicos. Desenvolver uma identidade a partir dos pontos fortes, tendo uma definição clara de quais valores são importantes, do que não pode abrir mão e de como deve agir.


3 - Alinhar a estratégia da empresa com o propósito da marca.

Estratégia e propósito da marca precisam seguir uma mesma linha de raciocínio. Este é um dos papéis do branding: alinhar as decisões da marca, evitando gaps na gestão, focando na criação e no valor, pregando o relacionamento com os seus stakeholders de forma duradoura. A sintonia entre equipe, empresa e marca é indispensável para atingir o público-alvo.


4 - Linguagem consistente.

Criar uma linguagem consistente para cada grupo de stakeholders. Os stakeholders nada mais são do que todos os públicos que interagem com a marca (colaboradores, parceiros, fornecedores, formadores de opinião, comunidade, sociedade, consumidores, etc). Embora cada peça existente neste cenário tenha necessidades e motivações diferentes, todos têm o seu valor e precisam entender o valor da marca com que estão lidando. Estas estratégias precisam estar alinhadas para que a comunicação seja uniforme.


5 - Criar a plataforma da marca.

Definir e construir a plataforma da marca, que inclui desde naming (a definição do nome da marca e de suas linhas de produtos, por exemplo); definição da identidade e personalidade e arquétipos da marca, passando pelo brandbook; posicionamento; fazer uma projeção do perfil do seu público alvo e como ele percebe(brand sense);  etc. Em resumo, a plataforma de marca é um documento que explica detalhadamente a essência da marca e como ela representa a empresa.


6 - Ações de marketing e comunicação.

Se a marca é o principal ativo da empresa, para gerar mais valor, mais e melhores negócios, é imprescindível criar conexões reais e duradouras da marca com todos os seus stakeholders. As estratégias de marketing e as ações de comunicação adotadas para disseminação da marca ganham importância máxima na divulgação e retorno que irá gerar para a empresa.


7 - O bom uso do design.

Usar o design como ferramenta para criar identidade única para a marca. O aspecto visual da marca também faz diferença neste elo entre cliente e produto. A identidade da marca usa o design para traduzir de forma visual, agradável e eficiente todo o conceito criado para definir a essência da marca, contextualizando-a dentro do modelo projetado pelo branding.